Ferrofrente questiona a manutenção da atual concessionária na administração transitória da ferrovia e pede esclarecimentos sobre os critérios adotados pela ANTT.
A FERROFRENTE – Frente Nacional pela Volta das Ferrovias manifesta sua profunda preocupação com a decisão da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) de manter a atual concessionária da Malha Oeste na administração transitória da ferrovia por mais 180 dias, com previsão de créditos destinados à execução de serviços de preservação da infraestrutura.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, a medida prevê créditos estimados em R$ 26,9 milhões, dos quais cerca de R$ 5,9 milhões serão destinados à realização de serviços de roçada, capina e conservação em pontos estratégicos da ferrovia.
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A decisão causa perplexidade.
A própria ANTT reconhece que a Malha Oeste chegou a um quadro de degradação decorrente de anos de investimentos insuficientes e da perda de sua capacidade operacional.
“A infraestrutura da Malha Oeste, incluindo sua via permanente, encontra-se depreciada. Durante anos, a atual concessionária realizou investimentos em patamares insuficientes para a sua manutenção. O subinvestimento acarretou perda da capacidade de transporte”, diz a ANTT em página dedicada à Rumo Malha Oeste.
Diante desse cenário, a FERROFRENTE considera legítimo questionar os fundamentos que justificam a permanência da mesma concessionária na administração da ferrovia durante o período de transição, inclusive para executar serviços básicos de conservação que deveriam ter integrado as obrigações assumidas ao longo da concessão.
A entidade entende que a preservação da Malha Oeste durante a transição é necessária. Entretanto, considera indispensável que haja total transparência sobre os critérios técnicos, jurídicos e econômicos que embasaram essa decisão, bem como sobre as medidas que serão adotadas para assegurar a recuperação efetiva da ferrovia e a proteção do interesse público.
Diante da relevância do tema, a FERROFRENTE encaminhou, nesta segunda-feira, 13 de julho de 2026, ofício ao Secretário Nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Cezar Ribeiro, reiterando a solicitação de reunião institucional em caráter de urgência com a Secretaria Nacional de Transporte Ferroviário. O objetivo é obter esclarecimentos sobre a administração transitória da Malha Oeste, discutir seus desdobramentos e conhecer o posicionamento da Secretaria sobre as medidas adotadas.
No documento, a entidade registra que a reunião anteriormente agendada com a Secretaria Nacional de Transporte Ferroviário para o dia 26 de junho de 2026 não pôde ser realizada em razão de questões técnicas. Desde então, a FERROFRENTE aguarda o reagendamento do encontro, cuja realização tornou-se ainda mais necessária diante dos fatos recentemente divulgados.
Para o presidente da FERROFRENTE, eng. José Manoel Ferreira Gonçalves, a sociedade precisa receber respostas claras sobre uma decisão que envolve recursos públicos e uma infraestrutura estratégica para o país.
“A própria ANTT reconhece que a Malha Oeste sofreu anos de subinvestimentos e chegou a um quadro de degradação. Diante disso, é natural que a sociedade questione por que a mesma concessionária permanecerá responsável pela administração transitória da ferrovia, inclusive recebendo recursos para executar serviços básicos de conservação. O que defendemos é transparência, respeito ao interesse público e uma solução que efetivamente permita a recuperação da Malha Oeste.”
A FERROFRENTE continuará acompanhando todas as decisões relacionadas à Malha Oeste e defenderá que o processo de transição seja conduzido com transparência, responsabilidade, segurança jurídica e compromisso com a recuperação da infraestrutura ferroviária brasileira.