
Entre trilhos, conhecimento e escolhas: uma vida dedicada à mobilidade
Algumas relações com os trilhos começam muito antes de uma carreira. Começam na curiosidade, em uma viagem de trem, na atenção de quem observa um meio de transporte e se pergunta como aquilo funciona.
Emiliano Stanislau Affonso Neto começou assim. Ainda criança, as viagens de trem despertavam seu interesse. Anos depois, já engenheiro mecânico, aquele primeiro contato ganharia novos sentidos e o levaria a percorrer caminhos que passariam pela indústria, pela administração pública e, finalmente, pelo Metrô de São Paulo.
Foi dentro do Metrô que encontrou uma cultura profissional que marcaria sua trajetória: equipes que conheciam profundamente os sistemas, que valorizavam a capacidade técnica e que não aceitavam colocar em operação aquilo que não dominavam.
Mas permanecer também foi uma escolha.
Quando oportunidades profissionais poderiam tê-lo levado para outros caminhos, Emiliano decidiu ficar. Havia uma preocupação que começava a se tornar central em sua visão: o conhecimento técnico precisava ser preservado, registrado e transmitido às novas gerações.
Essa percepção ultrapassou os limites da empresa e o levou à atuação institucional, à presidência da AEAMESP e à defesa de um debate mais amplo sobre mobilidade, planejamento e infraestrutura. Ao longo dessa caminhada, aprendeu que projetos de transporte não podem depender apenas de governos ou de visões isoladas. Precisam de continuidade, conhecimento, participação da sociedade e compromisso público.
Nesta conversa, Emiliano fala sobre os caminhos que o trouxeram até os trilhos, as pessoas que influenciaram sua trajetória, as escolhas que fez e aquilo que ainda considera necessário para que o Brasil volte a planejar e a construir seu futuro sobre trilhos.
Prepare seu embarque!
1. Como nasceu essa relação com os trilhos? Foi um sonho de infância ou uma oportunidade que acabou definindo sua vida?
Minha relação com os trilhos começou ainda na infância. Às vezes eu pegava o trem e cheguei a viajar de trem para o Rio de Janeiro e para cidades do interior. Era um meio de transporte que eu achava interessante. Depois resolvi fazer Engenharia e me formei em Engenharia Mecânica. Durante a universidade, fiz um estágio muito rápido no Metrô de São Paulo. Foi meu primeiro registro em carteira.
Minha trajetória profissional, porém, passou por outros caminhos antes de voltar aos trilhos. Trabalhei com informática, depois fui para uma indústria, onde atuei como gerente técnico e gerente de produção. Também trabalhei com contratos, processos e normas e representei a indústria na FIESP. Mais tarde, fui trabalhar em uma empresa de consultoria ligada ao grupo Camargo Corrêa. Fui contratado para ser responsável por contratos e acompanhar o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos. Acompanhava desde a elaboração dos contratos até a relação com as empresas e as auditorias.
Foi nesse período que surgiu uma oportunidade que acabou mudando minha trajetória. Montoro venceu a eleição e, entre os secretários, havia Almino Affonso, que eu conhecia. Ele me convidou para fazer parte da assessoria. Fiquei em uma dúvida danada, porque gostava do trabalho que fazia na consultoria, mas acabei aceitando. Eu queria ver o governo funcionando bem e achava que a gente tinha que ajudar nisso.
Na Secretaria, aprendi a lidar com a população e a conhecer um pouco mais o funcionamento do governo. Fui chefe da assessoria e participei de reuniões com o governador e com secretários. Também representava a Secretaria junto às empresas ligadas a ela, entre elas a Emplasa e o Metrô de São Paulo. Naquela época, havia obras do Metrô paradas havia quatro ou cinco anos e o Almino brigava muito para conseguir recursos. Eu acompanhava os contratos da Secretaria e também acompanhava um pouco o que acontecia no Metrô.
Pouco antes do final daquele governo, acabei indo para o Metrô de São Paulo. Eu queria conhecer melhor aquela área que já vinha acompanhando e entender como as coisas funcionavam por dentro. No Metrô, percebi que havia muita gente séria, com grande conhecimento técnico. O pessoal queria conhecer os sistemas em profundidade. Não aceitava que entrasse em operação alguma coisa que não fosse plenamente conhecida. Não queriam ficar dependentes dos fornecedores.
No começo, aquilo me parecia um pouco estranho, porque havia empresas muito sérias que poderiam entregar tudo pronto. Mas percebi que essa postura garantia o nível de conformidade e de eficiência do Metrô de São Paulo.
E fui continuando. Passei a trabalhar não só com contratos, mas também com patrimônio, projetos e ampliação. Foi uma trajetória que me mostrou como era importante trazer o poder público, os representantes políticos e a população para perto dessas questões.
2. Houve algum momento em que o senhor pensou que o setor perderia sua capacidade técnica? O que o motivou a permanecer?
Eu já estava no Metrô havia quase 15 anos quando foi implantado um plano de demissão voluntária. Era uma proposta muito tentadora. Naquela época, eu tinha três convites para trabalhar fora do Metrô, com salários muito maiores. Em alguns casos, mais de 50% acima do que eu recebia. Cheguei a ter proposta que era praticamente o dobro. Mesmo assim, permaneci.
Eu achava importante manter aquele conhecimento dentro da empresa. Tive a percepção de que poderíamos estar perdendo parte da capacidade técnica que havia sido construída ao longo dos anos.
Não bastava deixar o conhecimento registrado. Era preciso transmitir esse conhecimento para o pessoal novo que estava chegando.
Naquela época, eu também comecei a perceber melhor a importância da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Metrô, a AEAMESP. Quando ela foi criada, fiz questão de me associar, mas não participava da gestão.
Sentimos um pouco a falta de uma atuação maior da associação na defesa desse conhecimento que existia dentro do Metrô. Então formamos um grupo e decidimos concorrer com a chapa que estava à frente da entidade.
Acabamos ganhando. Dentro daquele grupo, o pessoal me colocou como presidente da associação. Eu não tinha buscado isso, queria apenas ajudar.
A partir daí, percebemos que era importante levar aquele conhecimento para fora do Metrô. Era importante trazer a população para o debate, ter deputados comprometidos e trabalhar pela melhoria da mobilidade.
Isso precisava ser feito independentemente de partido político. Aprendi, ao longo da vida profissional, que, se existe alguém que pensa diferente de você, mas é uma pessoa séria e comprometida com o crescimento, é importante escutar.
Muitas vezes, aquilo que conseguimos construir juntando diferentes visões é melhor do que uma proposta baseada em uma única perspectiva.
3. Ao longo da sua trajetória, como foi conciliar as responsabilidades da liderança com a vida pessoal? Houve renúncias que hoje o senhor considera parte dessa caminhada?
Uma atuação como essa acaba mexendo com a vida pessoal e com a família. Você tem reuniões, eventos, conversas e atividades que muitas vezes acontecem fora do horário de trabalho. Os fins de semana acabam envolvidos. Você precisa estar disponível, conversar com pessoas, tomar cuidado com aquilo que fala e procurar trabalhar com informações comprovadas.
Isso mexe com a vida da família. Eu tive que conciliar essas coisas. Minha esposa e eu sempre tivemos objetivos comuns. A gente procurava se dar as mãos e avançar juntos.
Também aprendi que não podemos viver como se o trabalho fosse tudo. Temos que levar em consideração a família, os filhos, os amigos e os vizinhos. Você não é o único.
Outra coisa que aprendi foi tomar cuidado para não transformar o trabalho em uma disputa pessoal. Se você tem que elogiar alguém, elogie em público. Se existe alguma coisa que precisa ser melhorada, procure conversar separadamente. Às vezes você está com uma visão errada e pode deixar a outra pessoa contrariada sem necessidade. Essa caminhada exigiu tempo, dedicação e envolvimento. Mas também me ensinou a ouvir, a ter cuidado com as relações e a entender que ninguém faz nada sozinho.
4. Quem foram as pessoas que mais influenciaram sua forma de enxergar o transporte sobre trilhos e o serviço público?
Tive muitas influências ao longo da trajetória. Almino Affonso foi uma delas. Trabalhei com ele no início do governo Montoro e vi de perto o quanto ele lutou pelo crescimento do Metrô. Naquela época, conseguiu que o governo Montoro fizesse grandes investimentos na área de mobilidade, especialmente no Metrô.
Também tive contato com muitas pessoas dentro do próprio Metrô, desde técnicos até profissionais que ocupavam cargos de direção. Eram pessoas muito sérias, com grande conhecimento técnico e compromisso com a empresa.
Tive oportunidade de conversar com presidentes do Metrô e também com pessoas que passaram pela Secretaria. Jurandir Fernandes foi uma dessas pessoas.
Lembro também de Plínio Asmann, que foi presidente do Metrô. Era um cara sério, de quem eu gostava. Tive oportunidade de conversar com ele, inclusive na casa dele.
Mas não foram apenas as pessoas que ocupavam cargos de direção que me ensinaram. Ao longo da carreira, aprendi muito com técnicos e profissionais que tinham conhecimento profundo de determinada área.
Uma coisa que sempre procurei fazer foi ouvir quem pensa diferente de mim. Se é uma pessoa séria, comprometida com o crescimento e bem-intencionada, é importante escutar. Provavelmente, aquilo que vai ser definido juntando diferentes visões será melhor do que uma visão restrita.
Também aprendi que planejamento é fundamental. Você não pode pensar somente em mobilidade, somente em saúde ou somente em crescimento. Tem que pensar na qualidade de vida como um todo.
5. Qual foi o momento em que o senhor sentiu que todo o esforço dedicado ao setor realmente valeu a pena?
Eu comecei a perceber que algumas das coisas pelas quais a gente havia brigado estavam se consolidando.
Um exemplo foi o Shopping Metrô Tatuapé. Na época, questionei algumas coisas e fui uma das pessoas que ajudaram a mudar a legislação e a fazer uma série de coisas para que aquele shopping pudesse ser implantado.
A ideia era aproveitar melhor o sistema de transporte. Na Zona Leste, você tinha uma linha muito carregada pela manhã, levando as pessoas do bairro para o centro da cidade. No fim do dia, o fluxo se invertia.
Quando você traz um empreendimento para perto da estação, consegue gerar movimento também no contrafluxo. Além disso, existe atividade econômica, valorização dos imóveis e geração de receitas.
Parte dessas receitas poderia ser aproveitada para ajudar o sistema de transporte e até para viabilizar novas obras.
Outra coisa importante foi a transformação da AEAMESP. Nós pegamos a Semana de Tecnologia Metroferroviária, que era muito voltada ao Metrô, e começamos a ampliar o evento para discutir os sistemas metroferroviários de forma mais abrangente, trazendo pessoas de fora, mostrando o que estava acontecendo no mundo e discutindo aquilo que precisávamos melhorar no Brasil.
O evento acabou se tornando um dos maiores do setor metroferroviário. Também houve o trabalho de levar determinadas discussões ao Legislativo, buscar deputados comprometidos e discutir recursos para o transporte público.
Houve uma PEC que discutimos em Brasília para buscar recursos que pudessem ser destinados ao transporte público. Isso acabou trazendo recursos não apenas para o transporte metroviário, mas também para os ônibus. Então, quando você consegue agregar pessoas, trazer a população para junto e envolver representantes do Legislativo, algumas coisas começam a mudar.
Eu sempre digo: se a gente não faz nada, as coisas não avançam. Ainda acho que deveríamos ter avançado mais, mas houve conquistas importantes.
6. Existe algum projeto ou iniciativa que o senhor gostaria de ter visto acontecer e que ainda considera uma oportunidade perdida para o país?
Uma das oportunidades que considero perdidas foi avançar mais na utilização das receitas não operacionais associadas aos sistemas de transporte.
Quando você implanta um sistema de transporte, especialmente uma estação de metrô, existe um desenvolvimento no entorno.
Você pode trazer trabalho, habitação, saúde, comércio. Pode haver valorização dos imóveis e aumento das receitas para o município e para o Estado.
A pergunta é: por que não aproveitar parte dessa receita para ajudar a tirar o próprio projeto do papel?
Isso aconteceu em Hong Kong e depois avançou para a Europa e para a América do Norte. Você começa a pensar os investimentos junto com a implantação dos transportes estruturadores.
Um shopping próximo de uma estação, por exemplo, pode gerar receita para a empresa que opera o sistema ou para o poder público. Essa receita pode ajudar a subsidiar o custo da viagem e também contribuir para o pagamento das obras.
No Brasil, isso ainda poderia avançar muito.
Outra oportunidade perdida é a falta de continuidade dos projetos públicos.
Precisamos entender que determinados projetos são projetos de Estado, não projetos de um governante.
Não pode acontecer de uma obra começar em um governo e, quando muda a administração, ser interrompida.
Nós trouxemos experiências internacionais para mostrar o que acontece em outros países. Na Alemanha, por exemplo, eu vi projetos públicos que precisam continuar e não podem parar simplesmente porque houve mudança de governo.
Aqui, infelizmente, vemos obras que deveriam ter saído em quatro anos levando dez, quatorze anos ou mais. Muitas vezes, chegam novos governos e os projetos são paralisados ou abandonados.
Isso precisa mudar.
A Linha 17 do Metrô é um exemplo. Ela não é apenas radial; é uma linha perimetral. Precisa avançar, atravessar o rio, atender a região do Morumbi, chegar à Linha 4 e seguir até o Jabaquara.
Outro exemplo é a Linha 16, que poderia avançar um pouco mais e chegar às ferrovias, trazendo passageiros no contrafluxo.
Precisamos mudar essa forma de pensar.
7. Na sua visão, o que o Brasil precisa recuperar primeiro: os trilhos ou a capacidade de planejar?
Eu vejo que o planejamento é fundamental.
Nós perdemos os trilhos do século passado. Tínhamos quase a mesma quilometragem de trilhos e de estradas e tínhamos transporte ferroviário de passageiros.
Hoje temos muito menos trilhos e abandonamos grande parte do transporte de passageiros.
Passamos a fazer obras muito grandes de estradas, mas as estradas estão chegando ao limite. Só caminhão não resolve. Só carro não resolve. Só ônibus não resolve.
Precisamos dos trilhos.
Mas não adianta simplesmente construir trilhos. É preciso ter planejamento eficiente.
Seria muito importante, por exemplo, que a Emplasa voltasse. Ela começou pensando a Região Metropolitana de São Paulo e depois passou a trabalhar com a Macrometrópole Paulista, envolvendo Campinas, Sorocaba, a Baixada Santista e o Vale do Paraíba.
Esse planejamento precisa voltar.
E, dentro desse planejamento, precisamos recuperar os trilhos. Precisamos voltar a ter ligações para Sorocaba, Campinas, Santos e o Vale do Paraíba.
Eu vi um estudo da CPTM, há algum tempo, sobre uma ligação entre Campinas e Sorocaba. Era uma ligação que poderia transportar mais passageiros do que o trem que sai de São Paulo para o Vale do Paraíba.
Isso acontece porque existe um crescimento induzido nesses polos.
O planejamento não pode parar. Ele precisa continuar.
Aqui em São Paulo, antigamente, você escolhia determinado horário para evitar congestionamento. Hoje, você sai praticamente a qualquer hora e encontra trechos congestionados.
As pessoas passam a morar mais longe, gastam mais tempo no deslocamento, poluem mais e perdem eficiência.
Em um mundo cada vez mais conectado, você também perde capacidade de competir.
Por isso, precisamos voltar a planejar e, dentro desse planejamento, recuperar os trilhos.
8. Depois de tantos anos dedicados ao transporte sobre trilhos, o que essa caminhada ensinou ao senhor sobre as pessoas?
Eu aprendi a escutar.
Às vezes você vê alguém provocando uma briga e pensa: “Nossa, como é que ele faz isso?”. Dá vontade de dar o troco.
Mas não pode.
Se você tem alguém bem-intencionado, sério, que pensa diferente de você, escute. Tente construir junto uma proposta mais abrangente e integrada.
Já aconteceu comigo de uma pessoa que, quando eu era mais jovem, eu poderia ter visto com certo rancor acabar se tornando meu amigo e uma pessoa que ajudou muito. Porque era uma pessoa séria.
Isso me ensinou também a não ter preconceito político-partidário.
Se eu gosto de um partido e não gosto de outro, isso não pode impedir que eu reconheça uma pessoa boa e séria que esteja em uma posição diferente da minha.
Quando você trabalha por uma causa pública, precisa conversar com todos.
Ninguém faz nada sozinho. Você precisa agregar as pessoas.
Também aprendi que nunca deixamos de aprender.
A gente nasce sem saber nada e, quando morre, ainda tem muita coisa para aprender.
Você pode aprender com uma pessoa que tem uma grande expertise, que tem uma referência internacional, mas também pode aprender com uma pessoa mais simples que conhece profundamente determinada realidade.
Esse aprendizado melhora a nossa qualidade de vida.
Essa caminhada também me ensinou a não levar rancor comigo. Não ficar querendo dar o troco.
Você precisa escutar, entender as pessoas e tentar construir junto.
9. Quando um jovem engenheiro olhar para sua trajetória daqui a algumas décadas, o que o senhor gostaria que ele percebesse?
Eu gostaria que ele percebesse a importância de aprender com as pessoas.
Quando entrei em uma indústria, havia um funcionário mais antigo que todos chamavam de “Cabecinha”, porque o cara tinha uma cabeça muito boa.
Quando entrei, ele me olhava meio de lado. Eu era o engenheiro novo e ele já tinha muita experiência.
No final, aprendi muita coisa com ele e ele percebeu que também poderia aprender alguma coisa comigo.
Essa troca é fundamental.
Quando um jovem engenheiro entra em uma organização, precisa prestar atenção nas pessoas. Tem que procurar aprender, tentar ajudar e compartilhar aquilo que sabe.
Outra coisa importante é registrar o conhecimento.
Se você tem uma pessoa que trabalha com você e pensa que, se ela sair amanhã, você estará perdido, existe um problema.
Você vai sentir falta daquela pessoa, claro, mas precisa ter condições de manter as coisas funcionando.
Para isso, é preciso registrar, facilitar e capacitar outras pessoas para que elas também possam aprender.
O conhecimento não pode ficar somente na cabeça de uma pessoa.
Eu usava muito, no meu dia a dia, o 5W2H. É uma maneira de organizar aquilo que precisa ser feito.
O trabalho de uma equipe precisa ficar registrado para que outras pessoas possam dar continuidade.
Você precisa ajudar os outros a aprender.
10. Se pudesse voltar ao início da carreira e conversar com o jovem Emiliano que estava começando, o que diria a ele hoje?
Eu diria para ele escolher o que quer fazer e focar.
Durante a carreira, aparecem muitas oportunidades. Você recebe um convite para um lugar, depois outro, e muitas vezes fica pensando: “Eu deveria ter aceitado? Se tivesse aceitado aquilo, onde estaria hoje?”.
Mas não adianta ficar pensando no caminho que não escolheu.
Você escolhe o que vai fazer, precisa focar e entender que ainda tem muito a aprender.
Também precisa construir uma equipe. Essa equipe tem que trabalhar junto.
Eu diria para ele fazer algo de que goste.
O trabalho vai ocupar praticamente o seu dia inteiro. Se não tomar cuidado, vai ocupar também os fins de semana. Então você precisa gostar do que faz.
Mas não pode esquecer a família, os filhos, os amigos e os vizinhos.
Você não é o único e não é dono da verdade.
Escute, olhe, aprecie e avance.
Tenha metas. Saiba para onde você quer ir. Veja o que está dando certo, o que está dando errado e como pode melhorar.
Eu já estou com mais de 70 anos e ainda fico pensando que tenho pelo menos mais uns 20 anos pela frente. Tenho que continuar imaginando o que quero fazer.
A gente nunca pode parar completamente.
Tem que continuar aprendendo, estar com os amigos, estar com a família e procurar levar uma vida de que você goste.
E tem uma coisa que eu tento fazer: não fazer aos outros aquilo que eu não gostaria que fizessem comigo.
Sobre Emiliano Stanislau Affonso Neto
Emiliano Stanislau Affonso Neto construiu sua trajetória profissional no Metrô de São Paulo, onde atuou por quase quatro décadas em áreas relacionadas à engenharia, contratos, projetos, patrimônio, expansão e gestão. Engenheiro mecânico, teve também experiência na indústria, em consultoria e na administração pública, antes de consolidar sua atuação no setor metroferroviário.
Na AEAMESP, participou da ampliação do debate sobre o transporte sobre trilhos, aproximando a entidade da sociedade, do meio acadêmico e do Legislativo e contribuindo para a expansão da Semana de Tecnologia Metroferroviária.
Sua trajetória é marcada pela defesa do conhecimento técnico, do planejamento de longo prazo e da continuidade dos projetos de infraestrutura. Para Emiliano, a mobilidade deve ser compreendida como parte de uma estratégia mais ampla de desenvolvimento, capaz de integrar transporte, território, habitação, atividade econômica e qualidade de vida.